Este estudo apresenta a identidade visual de Isabella Gutierres, psicóloga que atende questões de relacionamento em Sorocaba (SP). O trabalho partiu de cinco problemas de comunicação da profissional, organizados pelo método RACI de identidade, que dá a cada elemento visual uma responsabilidade sobre cada problema. O resultado é um símbolo feito do B de Isabella espelhado, que forma uma borboleta, uma paleta quente de vinho, pêssego e amarelo e uma tipografia que equilibra proximidade e seriedade.
Palavras-chave: identidade visual; psicologia; método RACI; cor; símbolo.
1Contexto
Quem procura um psicólogo para cuidar de um relacionamento ainda não conhece o profissional. As primeiras impressões chegam pelo perfil no Instagram, pelo cartão que um amigo entregou ou pela placa na porta do consultório. A identidade visual é, na prática, o primeiro contato com a forma de atender.
A comunicação do segmento costuma repetir os mesmos recursos: azuis e verdes frios, cérebros, folhas, quebra-cabeças e a letra psi. Eles indicam a área, mas não diferenciam ninguém dentro dela. Para quem trabalha com relações afetivas, a linguagem fria ainda contradiz o que é oferecido: escuta e proximidade.
2Base teórica
Tem uma ideia do Donald Norman que resume bem esse projeto: antes de pensar sobre alguma coisa, a gente sente. Em poucos segundos a pessoa já decidiu se confia ou não, só pelo jeito que aquilo se apresenta (Norman, 2008). Pra quem está procurando terapia, esse primeiro sentimento pesa ainda mais.
Por isso a cor foi tratada como ferramenta, e não como gosto. A cor chega antes da forma e do texto e já traz uma emoção junto (Farina; Perez; Bastos, 2011). O azul e o verde de consultório passam limpeza, mas não passam calor. Os tons quentes passam.
A matriz RACI, que organiza todo o resto, vem da gestão de projetos. No capítulo 4 eu conto como adaptei ela para o design.
3Problemas de design
Antes de desenhar, os problemas. Saíram da conversa com o cliente e da análise do segmento:
- P1Parecer igual a todo o segmentoCores e ícones clínicos tornam a marca genérica e fácil de esquecer.
- P2Passar acolhimento sem perder seriedadeA marca precisa ser calorosa, mas continuar sendo um serviço de saúde.
- P3Gerar confiança no primeiro contatoO paciente decide se vai marcar a primeira sessão sem conhecer a profissional.
- P4Ser reconhecida em tamanho pequenoÍcone do perfil, carimbo e cartão exigem uma marca que funcione pequena.
- P5Mostrar nome e registro profissionalO Código de Ética do psicólogo orienta a identificação do profissional e do CRP na divulgação (CFP, 2005).
4Método RACI
O método RACI de identidade é meu, e parte de uma ideia simples: design existe pra resolver problema da empresa. Então cada elemento da identidade precisa ter uma função clara. Nada entra só pra enfeitar.
Na gestão de projetos, a matriz RACI cruza tarefas com pessoas e define quem executa, quem responde pelo resultado, quem é consultado e quem só é informado (PMI, 2017). No método, as tarefas viram os problemas da empresa e as pessoas viram os elementos da identidade: símbolo, tipografia, cor, grafismos, imagem, tom de voz e movimento.
O processo tem quatro passos:
- Levantar os problemas. Conversa com o cliente e análise do segmento pra listar o que a marca precisa resolver.
- Montar a matriz. Para cada problema, definir o papel de cada elemento com as letras abaixo.
- Desenhar. Cada elemento é criado a partir das responsabilidades que recebeu na matriz.
- Conferir. No fim, cada problema é revisto: o elemento que responde por ele fez a parte dele?
Responde
O elemento principal pra resolver o problema. Só um por problema.
Resolve junto
Elementos que trabalham junto no problema.
Apoia
Reforçam o trabalho, mas não carregam o problema.
Acompanha
Não atuam no problema, mas ficam coerentes com o resto.
5Matriz da identidade
A matriz mostra o papel de cada elemento em cada problema. Cada elemento foi desenhado a partir dela.
| Problema | Símbolo | Tipografia | Cor | Grafismos | Imagem | Tom de voz | Movimento |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| P1Parecer igual a todo o segmento | R | C | A | R | C | I | I |
| P2Passar acolhimento sem perder seriedade | C | A | R | C | R | R | I |
| P3Gerar confiança no primeiro contato | R | R | C | I | A | R | C |
| P4Ser reconhecida em tamanho pequeno | A | R | I | I | I | I | I |
| P5Mostrar nome e registro profissional | I | A | I | I | I | C | I |
6Mapa da marca
Mudança com acolhimento
7Símbolo
O símbolo nasce do nome. A letra B de Isabella, espelhada, forma uma borboleta. Em grego, psyché significa alma e também borboleta, e é a origem da palavra psicologia. A borboleta também é uma imagem conhecida de mudança, que é o que se espera de um processo terapêutico.
Por ser um espelhamento, o símbolo também fala de relação: dois lados que se encontram e se reconhecem um no outro. É o campo de trabalho da psicóloga.
- Letra base. O B de traço grosso, com as duas barrigas desenhadas por elipses inclinadas.
- Espelhamento. O B é refletido sobre um eixo vertical e as hastes se sobrepõem no centro, formando um oval.
- Corpo e asas. O oval vira o corpo da borboleta, e as quatro barrigas viram as asas.
- Leitura pequena. Formas fechadas e simetria total mantêm o símbolo legível no ícone do perfil.

Esboço geométrico feito para explicar a construção. A arte final está nos arquivos da marca.
8Tipografia
A tipografia responde pelo equilíbrio entre calor e seriedade (P2) e pela organização das informações obrigatórias (P5).

- Logotipo
- Letras humanistas de traço suave, que lembram a escrita à mão sem perder a legibilidade.
- Descritor
- “PSICÓLOGA” em caixa alta e espaçada. O contraste com o nome cria hierarquia e dá tom institucional.
- Textos de apoio
- Sem serifa neutra para endereço, telefone e CRP, legível no tamanho do cartão.
9Cor
A cor é a principal responsável por tirar a marca do padrão do segmento (P1). No lugar dos azuis e verdes clínicos, tons quentes, em um degradê natural do vinho ao amarelo.
Proporção de uso sugerida:
Códigos HEX medidos nas peças. Confira os Pantone em um guia físico antes de imprimir.
10Grafismos e imagem
Recortes das letras do logotipo viram um padrão gráfico em amarelo sobre o vinho, usado na almofada e no interior do envelope. Dão personalidade às peças sem precisar repetir o símbolo.
Fotos com pessoas reais, luz natural e expressão tranquila, de preferência da própria profissional. Quem procura terapia quer ver quem vai atender, e isso pesa mais na confiança (P3) do que qualquer ilustração.
11Tom de voz e movimento
Gentil e direto, sem jargão técnico. Convida em vez de prescrever, como no post “Vem tomar café comigo”. Ajuda a gerar confiança (P3) e a passar acolhimento (P2).
Ainda não aplicado. Para as redes, a proposta são movimentos lentos e suaves, como as asas do símbolo se abrindo. O movimento acompanha a marca, sem roubar a atenção.
12Aplicações





13Site
Site e agendaPara uma psicóloga, o site é onde a primeira conversa começa. Quem procura terapia para o relacionamento costuma pesquisar sozinho, à noite, no celular. Se nessa hora encontra um site claro, acolhedor e fácil de usar, o primeiro passo fica mais leve.
Por isso o site precisa de um sistema que funcione: agenda online com os horários livres, confirmação automática e lembrete antes da sessão. Menos mensagens perdidas no WhatsApp e menos sessões esquecidas.
E precisa ser encontrado. Um site bem posicionado no Google, para buscas como “psicóloga de relacionamento em Sorocaba” e “terapia de casal online”, traz pacientes que já estão procurando ajuda. Com o CRP visível e o texto no tom da marca, a visita vira agendamento.


- Agenda online com horários livres e lembrete
- Botão de WhatsApp em todas as telas
- Páginas pensadas para busca no Google (SEO local)
- CRP visível e informações do Código de Ética
Proposta de site desenhada pela turzin. para a marca.
14Resultados
De volta à matriz: cada problema conferido pelo elemento que responde por ele.
15Considerações finais
O projeto mostra que é possível comunicar seriedade com uma linguagem afetiva. Com cada elemento ligado a um problema, fica claro o que pode mudar no futuro e o que precisa ser preservado. Os próximos passos são acompanhar a percepção dos pacientes e levar o sistema para um site e para modelos de conteúdo.
Referências
- CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de ética profissional do psicólogo. Brasília: CFP, 2005.
- FARINA, Modesto; PEREZ, Clotilde; BASTOS, Dorinho. Psicodinâmica das cores em comunicação. 6. ed. São Paulo: Blucher, 2011.
- HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.
- NORMAN, Donald A. Design emocional: por que adoramos (ou detestamos) os objetos do dia a dia. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.
- PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 6. ed. Newtown Square: PMI, 2017.
